Funed desenvolve gel contra os males da boca

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Cientistas da Funed produzem gel e enxaguante para males da boca, como a candidíase, usando resinas vegetais, óleos essenciais, cera de abelha e pólen do alecrim-do-campo.

Composta da mistura de substâncias colhidas das árvores, do pólen e das secreções das próprias abelhas, a própolis é produzida por elas para proteção. “É um produto natural que os insetos usam na colmeia para se defender contra micro-organismos. E a gente fez dele exatamente o mesmo, ou seja, um medicamento para nos defendermos”, ensina a pesquisadora Esther Margarida Bastos. Bióloga, entomologista e especialista em abelhas, Esther tem nos produtos de abelha sua linha de pesquisa, desenvolvida no Laboratório de Serviços de Recursos Vegetais e Opoterápicos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. “Opoterápicos são os produtos que vêm de animais”, esclarece a pesquisadora.

Foi nesse laboratório e sob coordenação de Esther, ao lado de mais três pesquisadores, que foram desenvolvidos, a partir de diversos experimentos, dois produtos: um gel e um enxaguante bucal (antisséptico) à base de própolis, que já foram patenteados e estão prontos para serem oferecidos em larga escala. Os produtos naturais têm como objetivo atuar no combate de alguns males bucais, como a candidíase atrófica crônica. “A candidíase é a cândida mesmo (causada geralmente pelo fungo Candida albicans), que acomete, em geral, quem usa prótese total na boca, muitas vezes em consequência da má higienização. O paciente fica com a boca completamente cheia de cândida, com umas bolinhas brancas, muito similares às aftas. Então, a ideia é indicar o gel à base de própolis, que é muito eficaz, pois atua como antibiótico e tem a vantagem de ser um produto natural”, explica Esther Bastos.

Atualmente, esses pacientes são tratados com um gel à base de miconazol, um antifúngico. Já o enxaguante bucal é indicado para quem vai realizar um implante dentário. Atualmente, antes do tratamento, os pacientes usam, durante 14 dias, um líquido à base de clorexidina. Em um teste comparativo, a equipe de Esther constatou que a eficácia do produto feito com própolis é a mesma, além de evitar os efeitos colaterais do produto usado atualmente. “A clorexidina amarela os dentes e o enxaguante não”, garante.

Além dos efeitos práticos, e já comprovadamente eficaz, a própolis tem, naturalmente, uma ação contra fungos. “Ela oferece atividade antitumoral e evita fungos. Cândida e cárie, por exemplo, são causadas por fungos”, ensina a bióloga. A pesquisa durou três anos e passou por duas etapas, sendo a primeira de experimentos em laboratório. “Fizemos vários testes para saber qual a concentração ideal de própolis de que precisávamos. O produto era recebido bruto, passava por formulações para diluição e, por fim, foi encontrada a concentração mínima necessária para introduzir no medicamento. No caso do gel, fizemos toda a diluição pensando no efeito sobre a cândida”, detalha a bióloga.

Passada a fase de testes, o produto chegou ao teste clínico. Nessa etapa, foram selecionados pacientes em clínicas odontológicas que fizeram a higienização com o gel da própolis em vez do miconazol. Efeito positivo comprovado empiricamente, assim como os testes com o enxaguante. As pesquisas foram realizadas em parceria com as faculdades de odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mil e uma utilidades
Além de naturais e sem contraindicações, já elaborados, testados e aprovados, o gel e o enxaguante bucal criados pela equipe da Funed têm ainda outra vantagem: são mais baratos para serem produzidos em larga escala. Nesse caso, fica a pergunta: será que interessa à indústria esse tipo de produção? “Como é um produto natural, interessa. E nós temos o objetivo de produzi-los para o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende a população com problemas bucais, de implantes e até mesmo os imunossuprimidos, que geralmente sofrem muito com a cândida na boca”, acrescenta Esther Bastos.

Mais que isso, a solução pode ter ainda outras variações. “É uma fórmula para a boca, mas é possível mexer na concentração e transformá-la, por exemplo, em um creme vaginal”, diz a coordenadora da pesquisa. Mas, por enquanto, esse tipo de teste ainda não foi realizado.

Saiba mais – Própolis verde

Composta de resinas vegetais e óleos essenciais, cera de abelha e pólen, o que diferencia um tipo de própolis do outro é exatamente a origem botânica, além da espécie da abelha. A própolis verde vem do alecrim-do-campo. É dessa planta que saem as substâncias que a qualificam. Em Minas Gerais, 102 municípios produzem 20 toneladas do produto por ano, de acordo com a Cooperativa Nacional de Apicultura (Conap). O diferencial da própolis verde produzida em terras mineiras está na presença do artepelin-C, que ajuda a combater o câncer. Sem nada que afete sua reputação ao longo de milhares de anos, independentemente da origem botânica, a própolis sempre foi usada, em várias soluções de saúde, como gripes e dores de garganta, desde civilizações antigas. “Desde o Egito antigo”, reforça a pesquisadora Esther Bastos.

O que nos interessa – Notoriedade mundial
Os testes foram feitos, os produtos patenteados e a intenção dos pesquisadores é colocá-los à disposição do SUS. Mas, de forma prática, o que isso pode afetar nosso dia a dia? Para Esther Margarida Bastos é importante ressaltar que a própolis usada nessa composição desenvolvida na Funed é a verde, típica de Minas Gerais. A própolis verde, de acordo com a bióloga, foi muito estudada, tem notoriedade mundial, atividade biológica e potencialidades reconhecidas. Outra curiosidade é que, de acordo com o último resultado da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, do Ministério da Saúde, publicada em 2010, próteses dentais são muito demandadas nos serviços odontológicos, tanto os públicos quanto os privados.

Fonte: www.em.com.br

 



1 Comentário

  • Site 11 de junho de 2016

    Pacientes que sao submetidos a quimioterapia no tratamento de leucemia, portadores de HIV e idosos que utilizam dentadura tem mais chance de desenvolver a candidiase oral, uma infeccao causada por fungos, que se desenvolve quando o sistema imune encontra-se enfraquecido. Por sua acao atifungica, o gel e o enxaguatorio de propolis verde podem ser importantes aliados na prevencao e no tratamento da candidiase, proporcionando melhor qualidade de vida para esses pacientes.

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